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O outro lado do crime: quem compra a peça também alimenta o desmanche ilegal

  • Foto do escritor: Aline Chimenti
    Aline Chimenti
  • 13 de ago.
  • 3 min de leitura
Portas, para-choques e outras peças de veículos armazenadas em um pátio de desmontagem automotiva

O retrovisor que custa muito menos, o módulo encontrado por uma “oportunidade imperdível” ou aquela peça anunciada na internet sem nota fiscal e sem uma explicação clara sobre sua procedência. Para quem compra, pode parecer apenas uma forma de economizar no conserto do veículo. O problema é que, por trás de algumas dessas ofertas, pode existir um carro ou uma moto que foi roubado, furtado e desmontado justamente para abastecer o mercado ilegal de peças.


Esse processo pode acontecer muito rápido. Segundo matéria publicada pelo R7, em agosto de 2026, a Polícia Civil de São Paulo desmantelou uma quadrilha especializada no roubo e desmonte de carros elétricos. De acordo com a reportagem, os criminosos conseguiam desmontar os veículos em aproximadamente 20 minutos. Baterias avaliadas em cerca de R$ 100 mil quando novas eram revendidas clandestinamente por aproximadamente metade do preço.


Mas para quem todas essas peças são vendidas? Se existe uma estrutura criminosa dedicada a roubar veículos, desmontá-los rapidamente e separar seus componentes para revenda, é porque existe mercado para receber esses produtos. É justamente aí que o outro lado do crime aparece: quem compra a peça também alimenta o desmanche ilegal. A compra de uma peça de origem duvidosa deixa de ser apenas uma tentativa de economizar e passa a fazer parte de um problema muito maior. Enquanto houver procura por peças clandestinas, continuarão existindo criminosos interessados em encontrar novos veículos para abastecer esse comércio.


E existe ainda o risco jurídico para quem compra. De acordo com o Código Penal, a receptação envolve adquirir, receber, transportar, conduzir ou ocultar um produto sabendo que ele tem origem criminosa. A Agência Câmara de Notícias informou, em maio de 2026, que a Lei 15.397/26 aumentou as penas para crimes de furto, roubo e receptação. A legislação também prevê a receptação culposa, quando as circunstâncias da compra, como um preço desproporcionalmente baixo ou as condições de quem está vendendo, deveriam levantar dúvidas sobre a origem do produto.


Por isso, dizer “eu não sabia” nem sempre encerra o assunto ou isenta de responsabilidade. Ao comprar uma peça usada, um dos primeiros cuidados deve ser exigir nota fiscal e verificar sua procedência. Em São Paulo, a chamada Lei do Desmanche também estabeleceu regras para empresas que trabalham legalmente com peças retiradas de veículos, justamente para diferenciar esse mercado regular da atividade clandestina.


Desconfiar de preços muito abaixo do mercado também é fundamental. Uma peça usada pode naturalmente custar menos que uma nova, mas quando não existe nota fiscal, procedência conhecida ou uma explicação razoável para um valor muito abaixo do normal, a economia pode esconder um problema bem maior. Comprar peças de veículos roubados ou furtados não é apenas uma questão de procedência: além do risco de receptação, essa demanda ajuda a manter financeiramente o mercado clandestino que transforma veículos em peças para revenda.


Portanto, vale reforçar que combater o roubo e furto de veículos não depende somente de encontrar quem rouba ou fechar o galpão onde os carros são desmontados. Também passa por diminuir o mercado que torna esse crime lucrativo e aumentar as chances de localizar o veículo antes que ele chegue a um desmanche. É nesse ponto que o rastreamento veicular também pode fazer diferença. Na dr.monitora, além do monitoramento do veículo, uma equipe especializada de pronta resposta atua na busca e recuperação em casos de roubo e furto, utilizando as informações de localização para chegar ao veículo o mais rápido possível. Por isso, além de não alimentar esse comércio, contar com rastreamento e recuperação veicular pode ser decisivo para interromper esse caminho antes que o veículo termine em um desmanche ilegal.

 
 
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